segunda-feira, 2 de julho de 2018

RESENHA: Teoria do Conhecimento

HESSEN, Johannes. Teoria do conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p.3-16


Tratar sobre a origem das nossas ideias e a relação entre informação e conhecimento são objetos de reflexão entre grandes pensadores, filósofos e cientistas (inclui-se aqui os pesquisadores em Ciência da Informação). O objeto de pesquisa desde ensaio de Hessen (1925), a teoria do conhecimento, originou-se nas aulas proferidas pelo autor na Universidade de Colônia, em outubro de 1925. A exposição de suas ideias coloca o autor no hall de filósofos do século XX que tratou sobre a teoria do conhecimento frente à fenomenologia.
Johannes Hessen formou-se em teologia e filosofia pela faculdade de Augustinianum Gaesdonck (Alemanha), inicialmente apresenta-se como pastor, a partir de estudos sobre St. Agostinho e posteriori se firma nas atividades de ensino e investigação na filosofia. Faleceu em 1971, deixando um importante legado à humanidade, textos sobre a origem do conhecimento e elementos para a formulação do saber.

A essência da filosofia

Hessen inicia seu livro com a premissa “a teoria do conhecimento é uma disciplina filosófica” (p.3), para tal, é necessário primeiramente traçar a definição de sua essência. Entende que filosofia, palavra de origem grega, significa amor pela sabedoria, por ser uma definição genérica, o autor, a partir de então, traz outros conceitos de Platão e Aristóteles, dos estóicos e epicuristas, de Wolff e Überweg (na Idade Moderna), Dilthey, Descartes e Leibniz, Kant e Hegel. Esses sistemas possuem a essência da filosofia, que nos foi apresentado desde sempre e quando nos aprofundamos neles, deparamos com características intrínsecas. Encontramos uma atração pelo todo, um direcionamento para a totalidade dos objetos, por isso possuem o caráter da universalidade.
Desta forma, nos remete aos exemplos de Gettier e Russell (apud DUTRA, 2010) para compreender melhor a própria concepção tradicional do conhecimento.
Em Sócrates e em Platão, a filosofia aparece como “auto-reflexão do espírito a respeito de seus mais altos valores teóricos e práticos, os valores do verdadeiro, do bom e do belo” (p.6). Já em Aristóteles, a filosofia aparece como visão de mundo. Portanto, o autor colabora que “A filosofia é ambas as coisas: visão de si e visão de mundo.” (p.8). Desta forma, podemos dizer que “a filosofia é a tentativa do espírito humano de atingir uma visão de mundo, mediante a auto-reflexão sobre suas funções valorativas teóricas e práticas” (p.9).
Importante traçar essas definições durante o texto, pois em seguida surgirá uma divisão da filosofia e suas diferentes disciplinas a partir do próximo capítulo que será a posição da teoria do conhecimento frente aos sistemas filosóficos.

A posição da teoria do conhecimento no sistema da filosofia

A partir das definições abordadas no capítulo anterior, a teoria do conhecimento assume a posição de teoria da ciência, no conjunto da filosofia.
Dutra (2010) irá explicar de que maneira o conhecimento pode ser justificado e como as nossas opiniões podem ser convincentes e imunes a críticas, isto não conseguimos ver em Hessen. A teoria do conhecimento em Hessen pode ser definida como teoria material da ciência ou como teoria dos princípios materiais do conhecimento humano, pois, ocupa um campo diferente da lógica, em alguns aspectos:
a)    Dirige-se aos pressupostos materiais mais gerais do conhecimento cientifico;
b)    Tem os olhos fixos na referência objetiva do pensamento, na sua relação com os objetos;
c)    Pergunta sobre a verdade do pensamento, sobre sua concordância com o objeto;
d)    É definida como a teoria do pensamento verdadeiro.
Isso explica o esforço do autor em apresentar soluções completas, pois põe o método fenomenológico a serviço da teoria do conhecimento. Além disso, propõe uma divisão da teoria do conhecimento em geral e específica, no qual investiga a relação do pensamento com o objeto em geral e posteriori toma como objeto de uma investigação critica os conceitos fundamentais em que se exprime a referência de nosso pensamento aos objetos, respectivamente.
Para Johannes Hessen o conhecimento advém da percepção do objeto pelo sujeito. Trata, portanto, das relações que são estabelecidas por três elementos, o sujeito, o objeto e a sua apreensão pelo sujeito. Sujeito e objeto, na visão do autor, permanecem separados, assegurando que sujeito e objeto pertencem à essência do conhecimento. Tal teoria se assemelha com Hume e suas relações entre ideias e impressões, onde afirma, “nossas ideias são apenas cópias de nossas impressões.” (HUME, 1999, p.87)

A história da teoria do conhecimento

Traçando um panorama sobre a teoria do conhecimento, vemos a transição desta como uma disciplina filosófica independente. Hassen ilustra numerosas reflexões epistemológicas na filosofia.
Somente na Idade Moderna, a teoria do conhecimento aparece como disciplina independente e tem como seu fundador, John Locke, este trata de modo sistemático as questões referentes à origem, à essência e à certeza do conhecimento humano.
Na filosofia continental, Immanuel Kant aparece como o verdadeiro fundador da teoria do conhecimento, seu método, chamado por ele próprio, de “método transcendental” (p.15), não investiga a gênese psicológica do conhecimento, mas sua validade lógica. Sua filosofia é também chamada de transcendentalismo ou criticismo.
Em Fichte, a teoria do conhecimento aparece pela primeira vez intitulada “teoria da ciência” (p.15).
Surge em 1860 o neokantismo para separar o questionamento metafísico do epistemológico, em um posicionamento bem determinado.
A teoria geral do conhecimento proposta por Hassen irá fazer uma investigação fenomenológica preliminar do conhecimento e dos problemas nele contidos. Em sua obra completa poderá ser apreciado as escolas da filosofia – dogmatismo, ceticismo, subjetivismo, relativismo, pragmatismo e criticismo – assim como a origem do conhecimento (racionalismo x empirismo), a sua essência, os tipos de conhecimento, o conceito de verdade, o principio de causalidade e a religião (crença religiosa x conhecimento filosófico), esta última nos impressiona quanto a sua formação acadêmica, mas não na sua imparcialidade ao querer bem aos dois campos do conhecimento.


REFERÊNCIAS

DUTRA, Luiz Henrique de Araújo. Introdução à epistemologia. São Paulo: Editora UNESP, 2010.

HUME, David. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Editora UNESP, 1999.


Por: Aniele Moraes
Mestranda em Ciência da Informação - PPGCI/UFBA

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