HESSEN, Johannes. Teoria do
conhecimento. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p.3-16
Tratar sobre a origem das
nossas ideias e a relação entre informação e conhecimento são objetos de
reflexão entre grandes pensadores, filósofos e cientistas (inclui-se aqui os
pesquisadores em Ciência da Informação). O objeto de pesquisa desde ensaio de
Hessen (1925), a teoria do conhecimento, originou-se nas aulas proferidas pelo
autor na Universidade de Colônia, em outubro de 1925. A exposição de suas
ideias coloca o autor no hall de
filósofos do século XX que tratou sobre a teoria do conhecimento frente à
fenomenologia.
Johannes Hessen formou-se em
teologia e filosofia pela faculdade de Augustinianum Gaesdonck (Alemanha),
inicialmente apresenta-se como pastor, a partir de estudos sobre St. Agostinho
e posteriori se firma nas atividades de ensino e investigação na filosofia.
Faleceu em 1971, deixando um importante legado à humanidade, textos sobre a origem
do conhecimento e elementos para a formulação do saber.
A
essência da filosofia
Hessen inicia seu livro com
a premissa “a teoria do conhecimento é uma disciplina filosófica” (p.3), para
tal, é necessário primeiramente traçar a definição de sua essência. Entende que
filosofia, palavra de origem grega, significa amor pela sabedoria, por ser uma
definição genérica, o autor, a partir de então, traz outros conceitos de Platão
e Aristóteles, dos estóicos e epicuristas, de Wolff e Überweg (na Idade
Moderna), Dilthey, Descartes e Leibniz, Kant e Hegel. Esses sistemas possuem a
essência da filosofia, que nos foi apresentado desde sempre e quando nos
aprofundamos neles, deparamos com características intrínsecas. Encontramos uma atração
pelo todo, um direcionamento para a totalidade dos objetos, por isso possuem o
caráter da universalidade.
Desta forma, nos remete aos
exemplos de Gettier e Russell (apud
DUTRA, 2010) para compreender melhor a própria concepção tradicional do
conhecimento.
Em Sócrates e em Platão, a
filosofia aparece como “auto-reflexão do espírito a respeito de seus mais altos
valores teóricos e práticos, os valores do verdadeiro, do bom e do belo” (p.6).
Já em Aristóteles, a filosofia aparece como visão de mundo. Portanto, o autor
colabora que “A filosofia é ambas as coisas: visão de si e visão de mundo.”
(p.8). Desta forma, podemos dizer que “a filosofia é a tentativa do espírito
humano de atingir uma visão de mundo, mediante a auto-reflexão sobre suas
funções valorativas teóricas e práticas” (p.9).
Importante traçar essas
definições durante o texto, pois em seguida surgirá uma divisão da filosofia e
suas diferentes disciplinas a partir do próximo capítulo que será a posição da
teoria do conhecimento frente aos sistemas filosóficos.
A
posição da teoria do conhecimento no sistema da filosofia
A partir das definições abordadas
no capítulo anterior, a teoria do conhecimento assume a posição de teoria da
ciência, no conjunto da filosofia.
Dutra (2010) irá explicar de que maneira o
conhecimento pode ser justificado e como as nossas opiniões podem ser convincentes
e imunes a críticas, isto não conseguimos ver em Hessen. A teoria do
conhecimento em Hessen pode ser definida como teoria material da ciência ou
como teoria dos princípios materiais do conhecimento humano, pois, ocupa um
campo diferente da lógica, em alguns aspectos:
a)
Dirige-se aos pressupostos materiais mais
gerais do conhecimento cientifico;
b)
Tem os olhos fixos na referência objetiva do
pensamento, na sua relação com os objetos;
c)
Pergunta sobre a verdade do pensamento, sobre
sua concordância com o objeto;
d)
É definida como a teoria do pensamento
verdadeiro.
Isso explica o esforço do
autor em apresentar soluções completas, pois põe o método fenomenológico a
serviço da teoria do conhecimento. Além disso, propõe uma divisão da teoria do
conhecimento em geral e específica, no qual investiga a relação
do pensamento com o objeto em geral e posteriori
toma como objeto de uma investigação critica os conceitos fundamentais em que
se exprime a referência de nosso pensamento aos objetos, respectivamente.
Para Johannes Hessen o
conhecimento advém da percepção do objeto pelo sujeito. Trata, portanto, das
relações que são estabelecidas por três elementos, o sujeito, o objeto e a sua
apreensão pelo sujeito. Sujeito e objeto, na visão do autor, permanecem
separados, assegurando que sujeito e objeto pertencem à essência do conhecimento.
Tal teoria se assemelha com Hume e suas relações entre ideias e impressões,
onde afirma, “nossas ideias são apenas cópias de nossas impressões.” (HUME,
1999, p.87)
A
história da teoria do conhecimento
Traçando um panorama sobre a
teoria do conhecimento, vemos a transição desta como uma disciplina filosófica
independente. Hassen ilustra numerosas reflexões epistemológicas na filosofia.
Somente na Idade Moderna, a
teoria do conhecimento aparece como disciplina independente e tem como seu
fundador, John Locke, este trata de modo sistemático as questões referentes à
origem, à essência e à certeza do conhecimento humano.
Na filosofia continental,
Immanuel Kant aparece como o verdadeiro fundador da teoria do conhecimento, seu
método, chamado por ele próprio, de “método transcendental” (p.15), não
investiga a gênese psicológica do conhecimento, mas sua validade lógica. Sua
filosofia é também chamada de transcendentalismo ou criticismo.
Em Fichte, a teoria do
conhecimento aparece pela primeira vez intitulada “teoria da ciência” (p.15).
Surge em 1860 o neokantismo
para separar o questionamento metafísico do epistemológico, em um
posicionamento bem determinado.
A teoria geral do
conhecimento proposta por Hassen irá fazer uma investigação fenomenológica
preliminar do conhecimento e dos problemas nele contidos. Em sua obra completa
poderá ser apreciado as escolas da filosofia – dogmatismo, ceticismo,
subjetivismo, relativismo, pragmatismo e criticismo – assim como a origem do
conhecimento (racionalismo x empirismo), a sua essência, os tipos de
conhecimento, o conceito de verdade, o principio de causalidade e a religião
(crença religiosa x conhecimento filosófico), esta última nos impressiona
quanto a sua formação acadêmica, mas não na sua imparcialidade ao querer bem
aos dois campos do conhecimento.
REFERÊNCIAS
DUTRA,
Luiz Henrique de Araújo. Introdução à
epistemologia. São Paulo: Editora UNESP, 2010.
HUME,
David. Investigação sobre o entendimento
humano. São Paulo: Editora UNESP, 1999.
Por: Aniele Moraes
Mestranda em Ciência da Informação - PPGCI/UFBA